Instantâneos ?

relogio

Comecei a usar serviços de e-mail ainda no tempo das BBS, e lembro perfeitamente quando criei minha primeira conta no ICQ por conta de uma indicação do meu irmão caçula que morava nos EUA (era1996). Achei incrível a ferramenta permitir saber quando outra pessoa igualmente usando um acesso discado estava conectada e poder trocar mensagens.

Os mais jovens parecem até ter abandonado o e-mail como ferramenta de comunicação, preferindo a maior instantaneidade dos comunicadores, SMS ou mesmo dos posts em redes sociais. Já criaram até um idioma próprio para isso… E-mail virou coisa de “tiozão”. Por conta disso, sempre encontro alguns alunos de graduação que têm enorme dificuldade de organizar um parágrafo com mais de quatro frases. Lamentável… Pegar uma bic e escrever uma redação então…

Estes comunicadores, acessados por dispositivos cada vez mais móveis e portáteis, destroem as fronteiras entre vida profissional e vida particular. Estamos conectados com família e amigos enquanto estamos no trabalho, e com chefe e colegas quando estamos em casa. Como separar as coisas ?

Ficamos cada vez mais tempo conectados às pessoas por meio dessas ferramentas. Isso nem sempre é positivo. Nos destraímos com maior facilidade. Somos interrompidos. Cada vez fica mais difícil concentrar-se em raciocínios mais profundos.

Aproveitamos todo o tempo disponível (salas de espera, trechos em trânsito, atrasos) para atualizarmos nossas conversas e checarmos nossas mensagens. Parece bastante produtivo, porém ao mesmo tempo estamos perdendo o tempo que poderíamos dedicar ao “ócio criativo” e aos pensamentos “mais profundos”. Privilegiamos a eficiência, matamos um pouco do nosso direito de “não fazer nada”.

Mas essas ferramentas trazem vantagens também. Quando estou em viagem de trabalho faço uma video-conferência sempre que as conexões dos hotéis permitem. Via Skype consigo “participar” da vida de casa abrindo uma janela para a sala de estar da minha casa. Meu filho me faz conversar até com nosso cachorrinho.  :-) Assim reduzimos um pouco a distância em um mundo cada vez menor.

Leave a Reply